Observatório Nacional da Transparência Orçamental e Energia


Portal de Monitoria Cidadã: Finanças Públicas & Crise Energética em STP

Análise integrada do Índice E-Budget 2025 e do Estudo de Investigação do Setor Energético.
Um diagnóstico técnico coordenado pelo Centro de Integridade Pública de São Tomé e Príncipe (CIPSTP) no âmbito do Projeto Pro PALOP-TL.

54 / 100
Índice E-Budget Geral (Moderado)

2.º Lugar
Posição Regional nos PALOP-TL

0 / 100
Dimensão D3: Dados Abertos


Parte 1: Índice de Transparência Orçamental — A Posição de São Tomé e Príncipe

Na edição de 2025 do Ranking E-Budget, São Tomé e Príncipe alcançou uma classificação de 54 pontos em 100 possíveis, o que situa o país num nível de transparência considerado Moderado. Esta pontuação garante a STP o 2.º lugar a nível regional entre os países dos PALOP-TL avaliados, ficando atrás apenas de Cabo Verde (94 pontos) e à frente de Angola (52 pontos), Moçambique (49 pontos) e Guiné-Bissau (12 pontos).

Contudo, o diagnóstico revela assimetrias gravíssimas. Na dimensão de Dados Abertos (D3), São Tomé e Príncipe obteve 0 pontos. Isso significa que o Ministério das Finanças não disponibiliza qualquer informação em formatos editáveis e reutilizáveis (como .CSV ou .XLSX), bloqueando a capacidade de auditoria social e a monitoria cidadã autónoma.

Síntese Gráfica — Leitura de Infográfico do Artigo

Visualização oficial do Ranking Regional E-Budget 2025 e dimensões de análise

Infográfico Ranking E-Budget 2025 e Setor Energético STP

Alerta sobre o Ciclo de Publicação:
Apesar de o país possuir capacidade interna para elaborar os documentos obrigatórios, existe um incumprimento crónico nos prazos legais de divulgação. Os Relatórios de Execução Orçamental (REOs) acumulam atrasos significativos e portais oficiais apresentam barreiras de acesso digitais, tais como redirecionamentos restritos para páginas com exigência de login, impedindo o livre acesso do cidadão.


Parte 2: Estudo de Investigação do Setor Energético — Diagnóstico de Deodato Capela

O estudo de caso completo, apresentado pelo investigador anti-corrupção e fundador do CIPSTP, Deodato Silva Capela, demonstra que a crise de energia em São Tomé e Príncipe não decorre de meras falhas de engenharia, mas sim de uma profunda crise de governação, opacidade orçamental e falta de responsabilização pública.

O setor da energia consome parcelas gigantescas do erário público através de subsídios implícitos, garantias e linhas de crédito estatais, operando como um verdadeiro sorvedouro financeiro que desestabiliza a soberania fiscal da República.

O Colapso Operacional e Financeiro da EMAE

A Empresa de Água e Eletricidade (EMAE) encontra-se em colapso técnico. A geração elétrica assenta de forma quase absoluta em geradores térmicos movidos a diesel (gasóleo) importado, gerando custos de produção insustentáveis e uma vulnerabilidade extrema a choques externos de preços.

Impacto Socioeconómico Desastroso

A persistência de apagões e cortes severos de eletricidade gera a paralisia de serviços essenciais, asfixia o setor privado, inibe o investimento estrangeiro e penaliza duramente as populações mais desfavorecidas. Atualmente, STP ocupa a 141.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), reflexo direto da precariedade infraestrutural.

O Fim dos Subsídios Diretos e as Perdas Ocultas

A eliminação dos subsídios explícitos aos combustíveis em 2023 empurrou a despesa energética para mecanismos de financiamento indireto e acumulação de dívidas não registadas com fornecedores de combustíveis, mascarando o real défice fiscal do país nos relatórios oficiais.


Planeamento Estratégico versus Resultados Observados

Metas de Planeamento

Os documentos estratégicos nacionais preconizam a transição para energias limpas e a reestruturação da governança da EMAE para garantir a estabilidade do fornecimento e a redução da fatura de importação de combustíveis.

Resultados Práticos

O que se observa é a lentidão crônica na implementação de projetos de energias renováveis e o agravamento das perdas técnicas e comerciais da rede, causados pela falta de uma fiscalização social preventiva e transparente.


Ações Estratégicas e Recomendações Críticas do Estudo

Para mitigar a crise fiscal e restabelecer a segurança energética em São Tomé e Príncipe, o investigador Deodato Capela e a equipa do CIPSTP apontam as seguintes ações imediatas e mandatórias para o Ministério das Finanças:

  1. Publicação de Relatório Energético Consolidado: Unificar e divulgar urgentemente num único documento público todos os gastos, transferências, garantias e subsídios direcionados ao setor de energia e à EMAE.
  2. Transparência Máxima nos Contratos Públicos: Tornar obrigatória a publicação integral dos contratos e acordos comerciais do setor energético antes da sua assinatura, assegurando o escrutínio e a auditoria cidadã preventiva.
  3. Fortalecimento do Tribunal de Contas: Repor e robustecer a fiscalização prévia e preventiva do Tribunal de Contas em todos os contratos de grande impacto financeiro assinados pelo Estado santomense.
  4. Adoção Imediata de Formatos Abertos: Disponibilizar as séries históricas e dados brutos de execução orçamental em formato .CSV e .XLSX para erradicar a pontuação zero na Dimensão D3.
  5. Garantia de Acesso Universal aos Portais: Eliminar de forma permanente as telas de autenticação e credenciamento restrito que bloqueiam o acesso público e transparente aos documentos fiscais obrigatórios.


Metodologia e Contexto de Investigação

Esta investigação baseia-se nas evidências colhidas no Estágio e-Budget do Pro PALOP-TL Fase III, utilizando técnicas avançadas de monitoria social e financeira, análise comparativa de relatórios do Ministério das Finanças, auditorias do Tribunal de Contas e dados institucionais consolidados da sociedade civil independente.

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